quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Cactos

Sozinha nesse deserto de sentimentos, eis que diariamente crio forças e revivo em mim. Não há sol que me mate, não há falta de chuva que me preocupe... Com o tempo, aprendi a me adaptar a esse mundo louco. 
Dia após dia, escondo-me atrás de minhas agulhas em uma eterna luta pela sobrevivência. Sou espinhos de cima a baixo, mas não se assuste, não tenho a intenção de te magoar. É só que depois de muito apanhar da vida, aprendi a me proteger. Às vezes até mesmo dos meus próprios sentimentos. 
Tempestade de areia atrás de tempestade de areia, me fortaleço. São tempos difíceis, mas permaneço de pé, firme e forte, pronta para enfrentar mais um dia ensolarado.
Sobrevivente dos contratempos da vida, não sou a mais bela das rosas ou qualquer outra flor de jardim... Sou cacto. Ser simples, símbolo de resistência, que aproveita cada lágrima como a mais bela experiência de vida. E nisso insisto, persisto, sobrevivo.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Nuvens cinzas


Eu ando tentar lutar contra tudo isso, eu juro. Pode não parecer, mas eu estou tentando. Tem dias que abraço meus monstros, mas isso não significa que me rendi. Dias de fraqueza fazem parte, certo? Mesmo quando eles são a maioria.
Ontem eu consegui me levantar da cama, e acredite, foi um esforço enorme. Eu sorri de verdade, como há tempos não fazia. Eu senti uma dose de felicidade percorrendo meu corpo novamente. Uma onda em um mar... Passou tão rápido que não fui capaz de me despedir. Foram poucos segundos, mas foram mais que o suficiente para me fazer acreditar. Acreditar que essa nuvem cinza não é permanente, acreditar que a vida não é uma tempestade constante, acreditar que viver é algo além disso que ando fazendo.
Com o tempo me afastei de tanta gente que perdi a conta. Afundei em um poço tão profundo que agora estou tendo que escalar sozinha. Mas o sol está logo ali em cima, posso sentir.

domingo, 31 de julho de 2016

Meu caos

Eu sempre tento fugir, abafar essa voz na minha cabeça, mas nunca consigo. Todas as noites os mesmos pensamentos retornam para me assombrar.
Entre o amor e o ódio, reviro na cama enquanto revezo as músicas no meu celular. Nenhuma serve para
descrever o que sinto. Nenhuma basta para resumir o que eu gostaria de te dizer. 
E a cada segundo, abro sua foto e a fecho rapidamente. Uma espécie de tortura comigo mesma que faço sem saber bem o porquê. Digito algumas frases e logo apago. Chego sempre tão perto de abrir o jogo. E nisso entro em um eterno ciclo de digitar e apagar mil frases. Se pudesse juntar tudo o que eu já quase te mandei, eu poderia escrever um livro. "A idiota que se perdeu por um amor" poderia ser um bom nome. 
A cada volta do relógio, meu peito aperta mais. Por que de madrugada tudo se torna mais doloroso? 
Mais uma dose de antidepressivo. Outra. E outra. Engulo a seco. Arde-me a boca, o estômago e o coração. O seu veneno é a minha cura. 
Perco-me embaixo do travesseiro, embolada em mil cobertas. Perco-me embaixo de um amontoado de palavras não ditas e sentimentos incertos. 
Perco-me na escuridão que me consome. Perco-me de mim. Perco-me em você: Meu caos, minha insônia, minha dor.


sábado, 16 de julho de 2016

Manifesto da loucura

Archan Nair
Tão definida é a loucura: ações não aceitas socialmente e pensamentos fora do padrão. Indivíduo insano e desequilibrado, sem um mísero pingo de razão. Apontam os frios dedos, e dizem “pobre coitado, é um louco”, e não se olham no espelho. O que faz alguém ser menos louco do que o outro? O que faz de você o padrão da mente sã? E afinal, quem regeu esse padrão? 
São padrões em cima de padrões, que te dizem exatamente como você deve ser. Seu corpo, seu cabelo, seus sonhos e claro, sua mente não ficaria de fora. 
Sabe essa sua vontade constante de desistir de tudo? Esse vazio que às vezes te atormenta? As crises existenciais que entram embaixo do seu cobertor? São coisas de louco, algum médico diagnosticará. E te empurrarão remédios e mais remédios goela abaixo até você finalmente se encaixar nesse quebra cabeça sem sentido. É proibido surtar, se cansar ou questionar a desordenação do mundo. 
Abramos os olhos, todos estamos constantemente à beira da loucura. Eu, você, nós. Somos todos um bando de loucos e desequilibrados. Pessoas perdidas nesse mundo caótico, que tentam se encaixar em padrões psicológicos inexistentes. 
Que não tenhamos medo da loucura, medo de sermos nós mesmos ou medo de sermos taxados como pirados. Porque independente do que você faça ou fale, já adianto: um dia você será. Te chamarão de louco, maluco, fora de si e desorientado. Seja porque você levantou a sua voz ou simplesmente porque não quis ser aquilo que esperavam. Então não tenha medo: xingue, grite, chore e fale asneiras. Vista o que quiser, faça o que quiser e pense como quiser. 
Que esse manifesto seja o marco da aceitação. A união de todas nós, pessoas que não se escondem atrás de suas linhas tortas, que não fazem questão de caber em caixas, que enxergam nos impulsos novas formas de movimento. Seres completamente alucinados, diariamente na beira do absurdo.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Projeto 16 on 16 - Caro Senhor Disney

Caro Senhor Disney,

Quando eu era mais nova, vivia admirando princesas e sonhando com uma vida perfeita em um reino encantado, na qual eu viveria feliz para sempre com um príncipe encantado. Cresci e vi que talvez as coisas não funcionem exatamente assim... Príncipes encantados em cavalos brancos não existem, e os finais felizes? Muito menos.
Mas sabe, com o tempo fui percebendo que não preciso ser salva da minha torre por um corajoso cavaleiro. Eu, e apenas eu, sou capaz de me salvar e construir o meu próprio desfecho.
Não existem fadas madrinhas que em um passe de mágica irão resolver todos os meus problemas. Infelizmente demorei um pouco pra perceber isso, e me vi por um bom tempo atolada em um emaranhado de problemas, na espera de uma reviravolta que me tirasse dali. Precisei acordar e ver que não haveria ninguém pra me salvar, e eu teria que fazer isso usando o mais belo amor da face da terra: o próprio. E assim vivi feliz para sempre.


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sábado, 28 de maio de 2016

Reflexos

Desenho por: agnes-cecile
Te vi vestindo solidão naquela noite. Não queria confessar, mas até que combina contigo. 
Você foge como se tudo isso te desse medo. Teme a vida mais do que teme a morte, e se esconde na sua própria sombra por puro receio de ver a luz. Tanto tempo na escuridão te cegou? 
Você esperneia que não quer atenção sem ver o tumulto que causa. Ou talvez veja, assim como provavelmente gosta disso. 
No fundo você é só uma criança assustada. E essa criança chora todas as noites com medo dos monstros que habitam seu guarda roupa, além de temer profundamente todos os fantasmas do seu passado que insistem em assombra-lo sempre que possível. Essa criança também tem medo das pessoas - eu diria até que mais do que dos monstros e fantasmas - e está completamente assustada e cansada de tudo. Esgotada. No limite. Teria ela enlouquecido? 
Uma incógnita que já desisti de resolver: É exatamente isso que você é. Uma daquelas enormes equações que sempre odiei na época do colégio, aquelas em que eu ficava séculos tentando resolver e não chegava a lugar algum... Isso quando não perdia a cabeça no meio de tantos números indecifráveis. 
Ah garoto, eu sei que deveria desistir de você, mas por algum motivo não consigo. Sua loucura me atrai, seu dissabor me instiga e seu mistério me provoca. 
Desequilibrados, inconstantes, perturbados e desorientados. Acho que você não passa de um reflexo meu. Ou seria o contrário?

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Projeto 16 on 16 - Uma música para recordar

Desenho por: agnes-cecile
Em meio a tanto barulho, sintonizei na sua melodia. Você foi para mim, aquela clássica música que começa calma, como quem não quer nada, e de repente se mostra incrivelmente animada e interessante. Daquelas que não gera uma paixão intensa logo de primeira, mas te faz querer esperar o refrão. Olha, vou ser sincera, sou de passar as músicas logo em seus segundos iniciais, não tenho paciência para ouvir a maioria até o final. Mas algo em você me disse que valia a pena esperar. 
Conheci cada uma das suas notas, decorei sua letra de cor e salteado, aprendi seu ritmo e vivenciei sua melodia. Confesso que as vezes ainda te cantarolo bem baixinho, quase que como um sussurro, na esperança de que você não me escute. Não me leve a mal, mas não quero que interprete errado, não quero voltar ao começo de tudo. Meu maior erro talvez tenha sido me viciar em você. Repeti tanto, que logo enjoei. 
Quero que saiba que por mais que apareçam novas músicas em minha vida, você sempre estará no meio da minha playlist de favoritas. Você foi aquela música que me marcou, me definiu e me mudou como pessoa. Você foi o meu hino nas horas que mais precisei de apoio, foi o consolo de todas as minhas tristezas e me acompanhou nas mais diversas danças. Você foi a mais bela canção que já vivi.  Mas o tempo acabou. A música chegou ao fim, e consequentemente, nós também.

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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Bagunça

Desenho por: Carmell Louize
Você nunca me levou muito a sério quando eu dizia que precisava de um tempo do mundo, e eis que agora aqui estou, uma granada prestes a detonar em suas mãos.
Eu tentei te avisar que eu iria explodir qualquer hora. Você olhou para o meu sorriso aparentemente tão leve e não acreditou; “Bobagem sua, todos tem seus dias ruins”. E foi assim que dia após dia fui mergulhando cada vez mais fundo em meus dias ruins, de uma forma tão intensa em que nem havia mais como distingui-los dos bons.
Você se encantou com a minha bagunça e se assustou ao perceber sua grandiosidade. Ela não é bonita, eu tentei avisar. 
Odeio a maneira com a qual tudo se desfaz tão fácil em minhas mãos, e o quão rápido o brilho das coisas perde-se na escuridão. Canso-me tão rápido de tudo, que já nem acredito mais que algo de fato será permanente nessa vida.
Eu preciso de um tempo. Preciso dar alguns passos para trás e ver de longe toda essa confusão que aprontei dessa vez. Talvez eu volte e te convide para um café, mas querido, por favor, não espere por mim.


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